A Arte de Recomeçar
A vida é uma série de recomeços. Trata-se de reiniciar, reinventar e redescobrir a nós mesmos. Este post explora a beleza de recomeçar e encontrar força na vulnerabilidade.
Recomeçar. Palavra bonita e bastante significativa, que pode ser utilizada em tantos momentos de nossas vidas. Começar de novo. Parece sempre ser a melhor resposta, para quem muitas vezes, precisa reconhecer que o caminho até agora traçado não forneceu os frutos desejados. E de frente com a porta fechada da oportunidade perdida, precisamos simplesmente: retornar. Reiniciar, reinventar, reconstruir.
E quantas vezes precisamos assistirmos morrer um pouco de nós, para finalmente, redescobrir, o verdadeiro significado de (re)começar. Do zero, sem orgulhos, sem pudores, sem medos, mas com bagagem. Boas experiências e aprendizado de tudo aquilo que não deu certo. Mas é preciso, portanto, saber carregar as vivências certas, ou seremos, assustadoramente assombrados pelo medo. O fracasso quando não está bem condicionado dentro de nós, nos destrói aos poucos, nos paralisa, nos bloqueia. E o medo não precisa ser um fator limitante, mas sim, um cuidado.
Reacreditar. Ação difícil quando se deixou de ter esperança naquilo que deveria ter valor. Pior ainda quando deixamos de acreditar em nós. É difícil viver essa experiência, de aos poucos, sem querer, começar um processo de autosabotagem. Quantas vezes, deixamos a opinião alheia, nos destruir por dentro. Dizem o tempo todo em quase tudo que fazemos: “Você não vai conseguir!”, “Você não tem capacidade” ou até mesmo, “Isso não é para você!”. É sempre mais fácil, diante das inúmeras dificuldades que brotam em nossa caminhada, acreditar na incapacidade, na não concretização, acreditar que a vida é ainda mais difícil do que já parece ser. Mas viver é isso: quase morrer tantas vezes, para se aprender a renascer, para sermos ainda mais fortes. Cair mil vezes, para levantar mil e uma. Reviver, renascer, reconhecer. Sim, reconhecer é isso, conhecer de novo, ter a oportunidade de aprender algo na vida, mas do jeito certo. De saber que erramos, mas que podemos reaprender o que é preciso. Sempre é tempo de mudar, de melhorar, de crescer. Sempre é tempo de se libertar. Solte-se das amarras, se entregue ao desconhecido, sem mais perguntas. Busque simplesmente viver, sem esperar nada em troca. Viva a simplicidade de se reencontrar em cada passo.
Mas perceba, a nossa vida é isso, uma porção de “Re’s”, você já percebeu? A vida é um ciclo, que quando bem vivenciado, nos leva ao melhor de nós.
O que nos conduz com mais facilidade ao estado de ser sublime? Qual a atitude que devemos ter, quando diante de um processo, queremos obter uma melhoria contínua? Isso mesmo, a resposta envolve diversas palavras mágicas já ditas: Recomeçar, reaprender, reviver, renascer, reinventar, restaurar, reiniciar, reconstruir…Devemos sempre, portanto, refazer, repensar nossas ações e nossas atitudes, pois há sempre milhares de detalhes que ainda não enxergamos, outros inúmeros aprendizados a serem obtidos, outros mil novos caminhos a serem percorridos. Viver é imensidão. Viver é a oportunidade de sermos plenamente realizados, felizes, reconduzidos a real beleza de nossa alma.
Somos plenamente capazes e apesar de todas as nossas falhas e possíveis limitações, cada um possui, um bonito talento, uma linda missão. Cada um carrega em si, uma grande oportunidade. Somos dignamente abençoados, mas desperdiçamos o que somos, quando deixamos de subir no alto do pódio de nosso dia a dia, para se contentar com o último lugar. Nos perdemos do que somos, quando constantemente, nos deixamos levar pelas fraquezas. Nos poluimos, quando ao deitar a cabeça no travesseiro, deixamos de nos corrigir e buscar melhorar, para se justificar e achar aceitável, tudo aquilo que fazemos de errado.
Já percebeu, quantas vezes, quando mesmo sem querer fazemos o mal, procuramos desculpas para não se corrigir? Quantas vezes, somos tão orgulhosos, que prejudicamos ou magoamos o outro de alguma forma, em nome de nossas falsas verdades, para nos sentirmos mais fortes? Para não admitirmos o quanto somos humanos? Mas saiba que fraco não é aquele que reconhece estar errado, que reconhece suas deficiências, que deixa o orgulho de lado, para valorizar as coisas certas. Também não é fraco aquele que diante das tormentas, se deixa cair. Fraco mesmo é quem vive a soberba de se achar superior aos outros. Fraco é aquele que não sabe viver o processo da humildade. Que acha que suas vontades, seus desejos, suas escolhas, devem sempre ser realizadas, mesmo que isso possa prejudicar ou magoar alguém. Fraco é aquele que não sabe amar. Fraco é aquele que não se permite viver a essência da fraternidade, que não se esforça pelos bons valores. Não é fácil ser bom, por isso poucos realmente são, mas há muitos batalhando para verdadeiramente ser.
Diante de renascimentos, recomeços, reinvenções, redescobertas, reconstruções e tantos outros processos necessários para o nosso bem estar, desenvolvemos a nossa maturidade. Deixamos assim de querer tanto o que não importa, aprendemos a valorizar as pessoas certas, a amar quem nos ama de forma adequada. Aprendemos a ser mais autênticos, a sermos quem devemos ser, sem máscaras, sem invenções. Aprendemos a dar valor aos nossos sentimentos, ao nosso corpo, a nossa vida. Com o tempo, finalmente, percebemos que não podemos mudar os fatos, e diante disso, deixamos que os fatos mudem a nossa realidade, afinal, os acontecimentos são fatores de transformação em nós. Maturidade não é deixar de ser criança. Não necessariamente, pois é preciso deixar de ser, do jeito certo. Deixamos o apego, a forma infantil de querer tudo pra si. Mas deveriamos manter a verdade, a sinceridade e, sobretudo, a simplicidade. Uma criança se encanta com o arco-íris, com o pôr-do-sol, com um inseto no jardim, com o gosto da chuva, com os pequenos detalhes de uma paisagem. Não podemos perder essa visão do encantamento, pois quando deixamos de admirar a beleza das pequenas coisas, a vida perde a graça. Quando não há mais surpresas, não há mais vida. É a morte da essência da alma.
E mesmo com tropeços e os pés cansados de quem se encontra perdido e sem saber pra onde ir, que o sol possa mostrar, a beleza do recomeço. Que os raios de luz, permitam abrir os olhos de quem não enxerga o que vê, para que possa ter o encantamento necessário pela vida. Que não se esqueça da beleza que carrega. Que não deixe morrer o que há no coração, a bondade que carrega na alma. Que sempre haja luz suficiente para iluminar os escuros do nosso ser. É sempre tempo de recomeçar. É sempre tempo de nos amarmos e amar o outro como ele é. É sempre tempo de acreditar. É sempre tempo de perdoar o outro, mas é imprescindível, que possamos perdoar a nós mesmos. Renascer, diante do amor que carregamos, da bondade que podemos propagar, daquilo que verdadeiramente somos. Viver é nunca esquecer de voltar, quantas vezes forem necessárias, para nós mesmos. Para o que nunca podemos deixar de ser. Que possamos ser sempre o melhor amigo de nós mesmos e não o maior inimigo. Que nunca deixemos de caminhar, de dar passos. Que nunca deixemos a luz que carregamos se apagar. Que nunca deixemos de lutar. Que saibamos sempre, revisitar os mais bonitos territórios da nossa alma e do nosso coração.